CASA CATERPILLAR - SEBASTIÁN IRARRÁZAVAL



Vamos de residência!


Localizada nos arredores de Santiago, Chile, em uma área onde a Cordilheira dos Andes se destaca na paisagem, a "Casa Caterpillar" é um exemplar que combina materiais reaproveitados, com a arquitetura contemporânea latina.

Projetada para uma família de um colecionador de arte, a casa não se limita às horizontais volumétricas das unidades de Containers Marítimos, e se debruça sobre a declividade proporcionada pelo relevo característico. Foram utilizadas seis unidades de containers modelo 40 pés HC e seis unidades modelo 20 pés DRY, doze e seis metros respectivamente. O método construtivo foi utiizado em todo o projeto, inclusive na piscina! 


O arquiteto cita que a escolha do conjunto de materiais foi feita tendo em mente não só a redução de custos mas também de manutenção. Foi importante analisar sua capacidade de envelhecer bem, incorporando a passagem do tempo como algo que agrega valor ao material.


Resumidamente, os objetivos da construção eram dois:


O primeiro era integrar ao território dessa parte da cidade onde a presença da Cordilheira dos Andes é forte tanto visualmente quanto na tectônica. Assim foi considerado como um fundo óbvio a ser destacado e como um terreno em declive a ser trabalhado. O segundo era permitir que o ar externo fluísse com facilidade por toda a casa em suas diversas partes, evitando resfriamento mecânico.


No que diz respeito ao primeiro, a estratégia para atingir a integração proposta ao território consistiu em localizar os volumes como se repousassem sobre o declive e permitindo que, digamos, se misturassem a ele. Como resultado desse ajuste da casa ao terreno natural, foram gerados a entrada e os dormitórios da crianças, tendo cada um espaço interno inclinado que é tanto clarabóia quanto o local da cama no quarto.


Em relação ao segundo, a estratégia para melhorar o movimento do ar através da casa consistiu em organizar o programa ao longo de linhas e manter espaços intersticiais entre eles para a circulação dos habitantes e do ar frio que vem das montanhas. Ao mesmo tempo, os espaços intersticiais propostos aumentam o perímetro da casa, o que permite que na maior parte do tempo se tenha luz e ar entrando por pelo menos dois lados opostos. Como consequência, janelas e portas se alinham ao longo de eixos que cortam as linhas, facilitando assim o movimento do ar e criando integração visual.


Elementos arquitetônicos como janelas, portas e claraboias foram padronizados e repetidos por toda a casa não apenas para reduzir gastos mas para criar e integrar uma unidade arquitetônica.


Até a próxima!